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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ENQUANTO A VIDA EXISTIR

















Eu nasci neste mundo

e o meu futuro é agora

porque amanhã já é tarde

Acontece que estou aqui

fazendo a vida existir

Aquele que acreditou em mim

e me deu a chance de viver

haverá de me reconhecer

como a sua continuação

Vida, vida...

alguém vai te exaltar

e ninguém melhor que tu

para me fazer acreditar

onde anda ainda o meu sonhar

Quero um sonho ad aeterno

para poder me afirmar

sabendo que o meu destino

está na palma da minha mão

Quero dar esse amor

que me trouxe até aqui

àquela que primeiro me encontrar

e depois quero morrer

morrer amando a existência

enquanto a vida existir

enquanto a puder desfrutar.


Rio, 1970

domingo, 20 de outubro de 2013

Do Amor!...


Amar-te nunca é demais...

por mim te dou a paz

do seu ser e meu querer

te ver aqui voltando de lá

querendo amar o que te completa

e eu e você repleta

preenchida por todas as emoções

querida do ser viver vivida

amada amando o amor a vida

e a prova que aqui agora

renova a existência de anseios

seus meus nossos momentos

nesta peça maviosa cheirosa

e as tuas mãos nos meus olhos

que procuram toda você

e te olham e assim cada vez mais

te penetram e te buscam

mas... o teu mistério? e a chave

e que palavra mágica

onde alcançá-la

como acariciá-la

meu amor...


Rio, 1970

EU SOU...


Eu sou aquele que anda

que clama reclama e manda

tudo mudar

Eu sou uma luz

que acende e ilumina a sina

e o destino do mundo

Eu sou um restinho de fé

o desejo que mata

o medo e cura a dor

Eu sou a agulha que fura

o pus sangrando na cruz

que revela a vida na luz

Eu sou o grão de areia

que brota na terra

criando a pedra

Eu sou essa gota d'água

matando a sede

desse meu torrão

Eu sou o calor do fogo

que a vida acende

cheia de energia

e que cria o dia

e que mata a noite

e ilumina os astros

Eu sou

a vida o universo e o amor


Rio, 1970





MINHAS AMANTES



Eram elas que me diziam

todo dia, todo dia

eram elas que me comiam

sempre, todo dia todo dia

Eram todas minhas amantes

delirantes como a lua

Eram sempre provocantes

viandantes de minha rua

Eram elas sós e belas

minhas sereias brancas e nuas

Eram loiras vagabundas

boas de banda e também de bundas

Eram todas insaciáveis, mas

todas amáves e sacanas

Eram elas na minha vida

um sonho velado sem solução

Eram todas os meus desejos

de agarrar seus peitos

em coito perfeito

de gozos sem fim

Eram todas minhas amantes

e em seus semblantes

se sentia o prazer

Eram todas cheias de desejos

de ardentes beijos

e mil gosos de mim

Eram sim todas imundas

safadas e assim molhavam o carmim

Eram elas meu querubim

e eu seu arlequim

de fantasias sem fim

Eram elas meu gozo na cama

que mulheres sacanas

que putas bacanas

a consumir meu d'argent

Eram todas enfim 
 
                               todas as mulheres

                                                             saciadas por mim


Rio, 1970



AMOR MAIOR



Meu filho papai vai agora

lhe contar uma história de amor

que é um sonho de canto

que é uma razão poética

que é um querer de ser

de profissão de cantor

Meu canto de amor é seu

que humanos seres habitou

que quis dizer com ardor

a fraterna condição que nos une

por vidas por nós reunidas

por querermos dar amor a humanidade

Meu filho

se até aqui não o fiz

é sua a missão de fazê-lo

já que sabeis por tenras demonstrações

de tudo que os seres humanos

nossos semelhantes ardorosamente almejam

Toma esse bastão que não o consegui alcançar

e que o busquei toda vida

e ensina com a tua humildade e bondade

o amor e a verdade humana

dos que vieram para amar o mundo


Rio, 1991





sábado, 19 de outubro de 2013

PALAVRAS...


 
 
Palavras, como direi...
 
se elas existem eu as convoco urgentemente
 
para que me promovam
 
antes que o sol se ponha
 
para que quando a lua
 
aparecendo, o que me instiga
 
saiba, antes que chegue novo dia
 
que eu sou uma sombra
 
que o sol desleixadamente
 
faz projetar no seio dessa amante
 
mas que ela nem se apercebe
 
como direi? com que palavras
 
a farei perceber essa nuance
 
esse ardor quer mancha a lua
 
e que é o meu amor!...


Rio, 1970